1. SEES 13.2.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  SINAIS DE ESPERANA
3. ENTREVISTA  HELGE LUND  SEM EFICINCIA NO H PETRLEO
4. LYA LUFT  DANANDO LADEIRA ABAIXO
5. MALSON DA NBREGA  QUEM MANDA NO BANCO CENTRAL?
6. LEITOR
7. BLOGOSFERA
8. EINSTEIN SADE  ALERGIA A MEDICAMENTOS

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

O EFEITO PLACEBO
O fato de que tratamentos falsos, que usam placebo em vez de remdio, podem causar efeitos fisiolgicos, como mudanas na atividade cerebral,  bem documentado pela medicina. Falta uma explicao convincente para o fenmeno. Encontr-la  o objetivo do primeiro centro interdisciplinar voltado ao assunto, o Programa de Estudos sobre o Placebo e a Consulta Teraputica, que une pesquisadores de vrias instituies ligadas  Universidade Harvard. Reportagens no site mostram:
 Como funciona o centro e quais so suas balizas
 Os resultados da pesquisa que demonstra como os mdicos tambm so afetados pela percepo  mesmo que falsa  de que um tratamento traz alvio ao paciente.

OS NOVOS DONOS DO CONGRESSO
Os recm-eleitos presidentes da Cmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tero a companhia na direo das duas Casas de sete parlamentares com problemas na Justia. Alm deles, ganhou poder nas bancadas uma dezena de lderes cujos nomes so associados a escndalos, como os deputados Anthony Garotinho (PR-RJ), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Jos Guimares (PT-CE)  o irmo do mensaleiro Jos Genoino lembrado porque um de seus assessores foi preso com dlares na cueca. Reportagem do site de VEJA mostra quem compe a nova elite do Congresso.

NETFLIX, A HBO DA INTERNET
Escalado para dirigir o hollywoodiano RoboCop depois do estouro de Tropa de Elite, o cineasta brasileiro Jos Padilha j  nome certo para outro superprojeto internacional: uma srie sobre o traficante colombiano Pablo Escobar prevista para 2014 no Netflix. O servio de streaming de vdeo est entrando com tudo na produo de sries, com a meta de se tornar a HBO da internet. Na estreia, House of Cards, a primeira srie do Netflix, foi comentada 50.000 vezes no Twitter  para efeito de comparao, o captulo final do fenmeno de audincia Avenida Brasil, o programa mais tuitado da TV brasileira, teve 3000 tutes por minuto. VEJA.com compara a produo do Netflix e a da HBO e mostra por que a era da TV na internet comea agora.

RAIO X DO ENEM
Histria medieval ou contempornea? Geometria ou estatstica? Interpretao de texto ou regras gramaticais? Com a ajuda de professores especializados no assunto, VEJA.com analisou as 720 questes das provas do Enem dos ltimos quatro anos  incluindo a realizada em 2012  e elaborou um ranking das matrias mais cobradas no exame federal. O levantamento pretende guiar os estudantes que se preparam para a avaliao deste ano, mostrando os assuntos aos quais eles devem se dedicar mais. O ranking apresenta tambm as questes da ltima prova com resoluo.


2. CARTA AO LEITOR  SINAIS DE ESPERANA
     Na Carta ao Leitor da edio de 15 de agosto do ano passado, cuja capa ilustra esta pgina, VEJA hipotecou seu apoio  presidente Dilma Rousseff. Ela acabara de anunciar uma srie de providncias destinadas a, em suas palavras. desatar o n Brasil. Passados seis meses desde que o plano desatador de ns foi anunciado,  triste constatar que pouca coisa saiu do patamar das intenes e mesmo as que se tornaram realidade, como a promessa de baixar o custo da energia eltrica, vieram mais pelo poder discricionrio de Dilma do que pela criao de condies reais, duradouras e sustentveis para que fossem implantadas.
     No se pode acusar a presidente de no ter um estilo de governo  tampouco, de no imp-lo goela abaixo aos seus comandados e s empresas de setores mais dependentes do governo. Uma reportagem desta edio de VEJA retrata a desoladora situao da Petrobras, que sempre foi o retrato a leo do que o Brasil tem de melhor em gesto, inovao e ousadia. Dilma foi muito mais longe do que qualquer outro governante na utilizao da Petrobras como brao da poltica econmica, tirando seu mpeto e capacidade financeira de continuar na vanguarda tecnolgica mundial da explorao de petrleo. Para ficarmos com um exemplo, o governo obrigou a Petrobras a subsidiar o preo da gasolina e do diesel como forma de conter a inflao. Isso custou  empresa, nos ltimos dois anos, cerca de 33 bilhes de reais, que deveriam ter sido gastos em investimentos para tirar do fundo do mar a decantada riqueza da camada pr-sal.  difcil encontrar instrumento de poltica econmica mais caro e nocivo aos brasileiros.
     Mas, como diz o poeta, nem tudo  naufrgio. Parece estar nascendo uma tenra plantinha de racionalidade no imenso deserto de insensatez que tem caracterizado as aes de governo no campo econmico. So sinais de esperana. Um deles foi dado pelo Comit de Poltica Monetria (Copom), do Banco Central, que em sua ltima ata fez uma declarao unilateral de autonomia. Pela primeira vez no governo Dilma, a autoridade monetria registrou com vigor que sua funo constitucional  preservar o valor da moeda, recusando o papel de subalterna do Palcio do Planalto.
     Outra mexida que d esperana foi o fato de Dilma, finalmente, ter aceitado mudar as regras para a concesso de estradas e ferrovias, tornando-as mais alinhadas com as leis de mercado. Inclui-se tambm no rol das novidades alentadoras a defesa que est sendo armada pelo Executivo para que no seja emasculada a medida provisria que pode tirar os portos brasileiros da pr-histria, um vergonhoso gargalo que nos coloca na 130 posio no ranking que avalia a capacidade dos pases de receber e despachar navios de carga. VEJA, portanto, reitera seu apoio  presidente sempre que ela age para acelerar o crescimento e modernizar o Brasil.


3. ENTREVISTA  HELGE LUND  SEM EFICINCIA NO H PETRLEO
O presidente do gigante noruegus Statoil diz que s os mais inovadores sobrevivero e informa que o governo no se mete na estatal: Se no der lucro, me mandam embora.
MALU GASPAR

Presidente da petrolfera Statoil, a maior estatal da Noruega e um dos gigantes mundiais do setor, Helge Lund, 50 anos, diz coisas que podem soar inacreditveis para um brasileiro. Primeiro: garante que no sofre presso alguma, nem do governo, nem do Parlamento, para fazer seu trabalho. Segundo: todas as decises relativas  empresa so regidas pelas leis de mercado com o objetivo de alcanar resultados cada vez mais expressivos. Os polticos de meu pas acreditam que o melhor para todos  que a companhia seja eficiente e competitiva, afirma Lund, que assumiu o comando da Statoil em 2004. Desde ento, ela se transformou, de um negcio eminentemente local, em uma multinacional com 30% da produo vinda do exterior. No Brasil, onde est sua operao mais importante fora da Noruega, explora reas do pr-sal, em sociedade com a Petrobras. Lund v grandes ineficincias que, na sua opinio, so um entrave  explorao dessa riqueza no pas. Em sua passagem pelo Rio de Janeiro, ele deu a VEJA a seguinte entrevista.

A Noruega  citada como a grande fonte de inspirao para o novo modelo exploratrio do pr-sal brasileiro. A comparao faz jus  realidade? 
At certo ponto, sim. Os dois pases compartilham da compreenso de que os recursos naturais devem se converter em riqueza permanente e possuem estatais que atuam como indutoras da indstria do petrleo. Mas uma diferena significativa nos distancia: a Statoil no tem direito automtico sobre todas as reas exploratrias, como a Petrobras, que recebe pelo menos 30% de cada bloco licitado. Na Noruega, temos de competir com gigantes multinacionais como Exxon, Shell, BP e Chevron. E tambm podemos decidir em quais licitaes entrar. Isso  bom para a empresa, porque no nos obriga a assumir negcios que no nos interessam, e benfico  economia do pas. A lgica que nos rege no  a da reserva de mercado, mas a da busca da eficincia. Felizmente, h um razovel consenso entre os polticos noruegueses de que a competio  um valor inabalvel.

Quais foram os efeitos da poltica de contedo local mnimo adotada na explorao do petrleo noruegus? 
Na primeira dcada, exigia-se das petroleiras a compra de at 60% dos equipamentos produzidos no pas. Aos poucos, conforme essas empresas foram se expandindo e se tornando realmente competitivas, o porcentual foi caindo, caindo, at se extinguir de vez. O interessante  que os fornecedores locais continuaram a ser parceiros preferenciais das petroleiras de fora. S que isso no ocorreu por questes de vis nacionalista, mas, sim, porque eles so hoje os melhores do mercado.

Ento o senhor acha natural que o pas pague mais caro pelos equipamentos do pr-sal em nome da criao de uma indstria local? 
A exigncia do contedo nacional se tornou um tema central em todos os pases onde a explorao de petrleo  fonte importante de riqueza, como a Rssia, de onde acabo de voltar, ou Angola, onde produzimos 190.000 barris por dia. No conheo ningum que discorde da ideia de aproveitar a chance para consolidar uma indstria local. O grande debate hoje  justamente sobre como fazer isso com eficincia e competitividade. Do contrrio, o esforo ter sido em vo.

Como fazer com que empresas que tm reserva de mercado busquem eficincia e se tornem competitivas? 
Um bom marco regulatrio, que lhes imponha metas e estabelea um prazo para o fim dos subsdios, j  um bom comeo. Mas  preciso, antes de tudo, criar meios para que a busca pela competitividade se torne parte indissocivel da cultura das companhias que recebem um empurro do estado.  um processo lento, gradual, que depende ao mesmo tempo delas, das agncias reguladoras e do prprio governo. Na Statoil, somos obrigados a pensar nisso todos os dias. Pagamos 78% de impostos sobre a atividade petrolfera.  impossvel sobreviver e dar lucro aos acionistas sem ganhar eficincia e baixar custos. Os polticos nos deixam trabalhar guiados pelas leis de mercado por entender que, quanto mais crescemos, mais impostos pagamos.

A Statoil est preocupada com os altos custos de explorar petrleo no Brasil? 
Ns e todas as outras empresas. Na minha posio, tenho de observar atentamente os gargalos com os quais convivemos mundo afora. A indstria de leo e gs est operando a plena capacidade.  esperado, portanto, que haja escassez de certos recursos. Minha maior preocupao diz respeito  falta de engenheiros  no apenas no Brasil, mas em mbito global.  um problema que me aflige porque no tem soluo imediata. Para se ter uma ideia, so necessrios de oito a nove anos para formar um engenheiro realmente bom. O Brasil precisa de muitos deles, mas o pior entrave  atividade petrolfera brasileira ainda  a ineficincia.

Quais so as evidncias disso? 
H hoje no Brasil setores que funcionam de forma muito mais eficaz e sem desperdcios, como por exemplo a indstria automobilstica. Mas na rea do petrleo o Brasil tem ainda de avanar muito. A comear pela relao entre as petroleiras e sua enorme cadeia de fornecedores. No  preciso nada de muito mirabolante a. Uma boa iniciativa seria adotar padres mais universais de operao, de mquinas a mtodos que possam vir a ser replicados por toda a indstria, para ganhar escala e reduzir custos.

O senhor poderia dar um exemplo prtico? 
H dois anos. a Statoil tinha vrios campos de tamanho mdio relativamente prximos uns dos outros, mas cada um comprava suas prprias mquinas e contava com uma estrutura prpria. Montamos ento uma central nica para adquirir vrios equipamentos de uma vez s e criamos um time comum de engenharia e projetos para atuar em diversos campos ao mesmo tempo. Conseguimos assim baixar em 30% os custos e reduzir  metade o tempo entre o incio da atividade exploratria e a produo propriamente dita. H que pensar sobre que iniciativas se aplicariam melhor ao caso brasileiro, mas  esse o tipo de raciocnio que precisa ser adotado.

A Statoil no sofre interferncia do governo e dos polticos? 
No. O governo noruegus tem 65% das aes, mas apenas um nico representante no comit que nomeia os conselheiros. Em 2001, quando passamos a vender aes na bolsa, o estado noruegus assumiu publicamente o compromisso de nunca, sob hiptese alguma, tentar arbitrar os rumos da companhia. Minha obrigao  gerar valor para os acionistas. Se falhar, o governo me manda embora. Se no fosse assim, jamais teramos conseguido quintuplicar a produo na rea internacional na ltima dcada.

O senhor j teve motivos para temer uma interveno do estado na conduo dos negcios? 
Tive. Em 2007, decidimos fundir a Statoil com a diviso de leo e gs de outra grande empresa norueguesa, a Norsk Hydro. No incio, houve resistncias, porque se imaginou que a fuso iria provocar demisses em massa. Mas, ao analisar o negcio como acionista, o governo entendeu que era estrategicamente importante e lgico, j que traria mais lucro, e acabou aprovando. Outro assunto que gerou muito debate foi a entrada da Statoil na explorao do petrleo das areias betuminosas do Canad, atividade que emite muito gs carbnico. Na ocasio, houve intensa polmica e muitos polticos foram  imprensa dizer que queriam a Statoil fora do Canad. Mas ningum no governo nos pediu nada, porque respeitam o sistema de governana que eles prprios construram.

A Statoil no precisa pedir autorizao ao governo para aumentar o preo dos combustveis? 
Claro que no. O preo dos combustveis deve ser regulado pelo mercado global, no pelo governo. Vendemos nossos produtos no exterior e estamos bem cientes de que os valores no mercado interno devem refletir as cifras internacionais.

O senhor acha temerrio que o governo brasileiro interfira no preo dos combustveis? 
No atuamos na rea de combustveis no Brasil. O que posso dizer  que, de modo geral, deve haver uma coerncia entre os preos cobrados no mercado interno e no externo.

A indstria petrolfera opera em pases onde h muita corrupo. Como a sua empresa lida com isso? 
H poucos fatores que podem realmente ameaar a sobrevivncia de uma companhia como a Statoil. Um deles  um acidente de grandes propores ou um desastre envolvendo vidas humanas. Outro  um escndalo como o que nos atingiu no incio dos anos 2000. Esse  o motivo, alis, por que estou aqui. Na poca, houve uma denncia de corrupo envolvendo funcionrios nossos no Ir. O presidente do conselho, o CEO e o chefe de operaes internacionais tiveram de sair. Ao assumir o cargo, eu me empenhei em tentar consolidar valores e construir um sistema de controle mais severo contra as ms prticas. O principal est em um guia que contm as diretrizes da empresa e instrues bem precisas sobre como agir em cada caso. Em uma companhia com 20.000 funcionrios, no h como garantir que no v acontecer outra vez. Mas acredito que adotar um regime de total intolerncia com esse tipo de prtica pode inibir a sua reproduo.

O que estabelece o guia anticorrupo da Statoil? 
Sabemos que no basta dizer ao funcionrio que ele ser demitido caso se envolva em algum esquema, porque as pessoas sempre podem nos enganar. Por isso, criamos regras que compelem cada empregado a levar questes embaraosas a escales superiores, para que sejam discutidas de forma clara e aberta. Analisamos cada caso individualmente.  comum nosso pessoal receber pedidos de pagamento para liberao de bagagem em aeroportos, por exemplo. Isso  terminantemente proibido. Mas pode acontecer de algum do nosso staff correr risco em algum lugar e sua vida depender de uma propina. Nesse caso, se for uma questo de vida ou morte  e se a deciso for tomada por um conjunto de pessoas , o pagamento poder, sim, ser feito, mas a companhia ter de tratar o assunto com toda a transparncia junto a seus investidores, explicando as razes. Dividindo o problema fica mais fcil chegar s decises corretas. Se, ao contrrio, o funcionrio tiver de conduzir tudo sozinho, a probabilidade de erros s cresce.

Que lies a Statoil depreendeu at agora da convivncia com a parceira Petrobras? 
A Petrobras deu um interessante exemplo de persistncia no caso do pr-sal. Meus funcionrios me contaram que, muitos anos atrs, a Statoil foi chamada a participar, como scia, de alguns dos blocos que a estatal brasileira hoje explora. Rejeitamos a proposta. O risco era alto demais. A Petrobras acabou ficando sozinha nessas reas e abriu uma oportunidade nica, daquelas que raramente aparecem. Alguns executivos da companhia at hoje querem nos beijar cada vez que nos veem, por causa de nossa desistncia no passado. Eles apostaram no pr-sal quando ainda era uma fronteira muito incerta e agora esto sendo recompensados. Estou muito impressionado com o tamanho do desafio de extrair essa riqueza de lugares to remotos. A logstica envolvida na operao  complexa. Os campos esto muito distantes da costa. Transportar as mquinas e os suprimentos  difcil, chegar s profundezas do oceano, mais ainda. Mas  algo que j est ao alcance da indstria.

Do que depende o sucesso da empreitada? 
A nica forma de dar conta da tarefa  investir em crebros, tecnologia e inovao. Em outras palavras, o nome do jogo  eficincia. As grandes petrolferas esto se transformando em organizaes voltadas, de um lado, para ganhos de produtividade e, de outro, para a gerncia de riscos. O pr-sal, assim como grande parte das novas fronteiras do petrleo,  uma espcie de laboratrio desse futuro. A complexidade da aventura em busca do leo negro se elevou exponencialmente. Isso no vale s para o pr-sal brasileiro, mas tambm para os poos de alta temperatura e presso do Golfo do Mxico ou para a extrao de leo do rtico. No h dvida de que apenas os mais experientes, eficazes e capazes de inovar conseguiro prosperar.


4. LYA LUFT  DANANDO LADEIRA ABAIXO
     Nestes dias  impossvel no se deprimir, se indignar, se preocupar, a no ser fechando olhos e ouvidos, e pegando o tamborim, pois  Carnaval. Mas eu, aqui, me entristeo. De um lado, os habituais horrores da falta de segurana (quantos policiais vemos nas nossas ruas nestes tempos?), a banalizao dos assassinatos, o pouco valor da vida, o crime dominando, ns ratos assustados dentro de casa, esperando que aqui dentro no nos matem as balas perdidas.
     De outro lado, a pavorosa chacina de quase 300 vidas jovens na boate de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e as discusses a respeito, quando no importa tanto se um msico acendeu um tipo de fogo pirotcnico, mas as condies da casa: ao que parece, extintores de incndio vazios, sem porta de emergncia, sem sinalizao luminosa, excesso de lotao, labirinto de paredes e grades l dentro. E o jogo de empurra do no fui eu, foi ele dos interessados. Algum chega a culpar os jovens, que, desmaiados, mortos ou tentando salvar vidas (muitos morrendo assim), seriam os responsveis: estavam atrapalhando a sada. Autoridades se eximem numa discusso intil, pois alvar vencido, falsificado ou suspenso significa: casa fechada. Outras, muitas pelo pas, vimos agora, funcionam atravs de liminar da Justia: em caso de uma tragdia como essa, que juiz se responsabiliza, juntamente com proprietrios e outros, pela matana insana? Vamos esperar para ver os resultados. No estou otimista.
     E, de outro lado ainda, o incrvel panorama da poltica brasileira, em que pessoas suspeitas assumem altssimos cargos, e ns aqui do vale dos comuns mortais no sabemos o que dizer, o que pensar, o que esperar; que esperana, alis, deveramos ter? Quem vai nos socorrer, nos confortar, quem nos comanda? Que autoridades controlam nosso pas, que deputados e senadores, que ministros? Sero todos altamente corretos, altamente experientes, competentes, conhecedores das atribuies e do alcance do seu cargo? Ou muitos so medocres, sem noo do que fazem, amedrontados e de cabea abaixada, sem saber direito o que fazem ali?
     Que fim levaram tica, responsabilidade, seriedade aqui entre ns? O que acontece com a educao, em que cada vez mais jovens despreparados entram por portas dos fundos ou laterais em universidades cujo nvel se reduz drasticamente para que acompanhem os demais, enquanto o ensino elementar est em situao quase trgica, escolas inexistentes, professores com salrios miserveis, salas de aula sem cadeiras, sanitrios destrudos ou imundos, instalaes condenadas, bibliotecas inexistentes? (Sim, estou me repetindo.) Desprezamos a energia elica, algumas instalaes no funcionam por falta de elementos essenciais; aguardamos entusiasticamente a Copa e a Olimpada  e a grana dos turistas , mas o quadro dos estdios, transportes e o mais no  nada animador.
     Tudo tem a ver com a confiana a depositar em nossos lderes. Nunca foi diferente, diz um amigo que me julga romntica demais. Nunca fomos perfeitos, respondo, mas j estivemos em melhor situao, alguns lderes muito respeitados, estudando para valer, buscando segurana e construindo nossa vida. Os males eram menos escrachados, ns, menos tolerantes, no esquecamos to depressa. Hoje temos de correr, comprar, consumir, nos endividar at o limite da loucura. E temos de nos divertir, ora essa! Esqueci o Carnaval! Fechados  chatice dos temas srios, samos aos pulinhos, fantasias, suor e alegria. Ningum  de ferro! Nada contra a alegria, mas (talvez bobagem minha)  meio indecente ver multides saracoteando enquanto nem se enterraram todos os mortos da boate e sobreviventes sofrem nos hospitais. Incomoda-me, por antiquada ou pessimista, estarmos requebrando ladeira abaixo ao som de msicas animadas, e quando a festa acabar talvez a gente nem volte a si procurando saber se estamos no caminho certo quanto ao progresso material,  segurana pessoal,  economia saudvel. Mais que isso: onde esconderam os alvars da moral e da tica por aqui?
LYA LUFT  escritora


5. MALSON DA NBREGA  QUEM MANDA NO BANCO CENTRAL?
     Pode at no ser, mas h sinais de que o Banco Central recebe ordens de cima. A presidente Dilma d a entender que a queda da taxa de juros foi deciso sua e no do Comit de Poltica Monetria (Copom). Seus auxiliares na Fazenda repetem que a medida  parte de aes do governo, como a desvalorizao forada da taxa de cmbio e as desoneraes tributrias. O senso comum apoia isso. Afinal, imagina-se, se ela foi eleita para governar, pode muito bem mandar diminuir os juros e, assim, impulsionar o investimento e o consumo. Artigos e editoriais elogiaram a deciso.
     Acontece que no  correto submeter uma agncia reguladora como o BC ao comando do governo da hora. No existe na experincia internacional xito duradouro de tal interferncia. Nos pases dotados de boas instituies, o banco central  organizao do estado e no do governo. Seus dirigentes so escolhidos pelo critrio de mrito e sujeitos a aprovao pelo Legislativo. No podem ser demitidos antes do trmino do mandato, em geral no coincidente com o do chefe do governo. Submetem-se ao controle democrtico, mediante ampla prestao de contas, principalmente ao Parlamento.
     Nos anos 1870, os Estados Unidos e a Inglaterra criaram as primeiras agncias reguladoras, para assegurar a competio em ferrovias e energia eltrica. Hoje, em todo o mundo, elas regulam atividades econmicas em que regras de mercado no funcionam adequadamente e em reas sociais como educao, sade e saneamento. Sua autonomia operacional  caracterstica de instituies do estado  decorre da complexidade de suas funes. Isso assegura a estabilidade das regras e, assim, a segurana para o investimento de longo prazo, cujo retorno se d no decorrer de muitos perodos de governo. Cabe tambm s agncias defender interesses dos consumidores.
     Entre o fim das guerras napolenicas (1815) e o da Primeira Guerra (1918), o padro-ouro assegurava o controle da inflao. A emisso de moeda dependia do estoque de metais preciosos, e no do governo. Com o trmino do padro-ouro, tornou-se necessrio confiar a defesa da estabilidade da moeda a uma instituio autnoma, capaz de proteger a sociedade contra aes inconsequentes dos governos. Por gerarem efeitos defasados no tempo, emisses de moeda e mudanas nos juros no podem ser orientadas pelos ciclos eleitorais. Decises pautadas pelo voluntarismo propiciam ganhos ilusrios e muitos aplausos hoje, mas podem redundar em inflao amanh, em prejuzo das classes menos favorecidas e do desenvolvimento.
     O Brasil comeou a construir a autonomia do BC com os avanos institucionais dos anos 1980 e com o Plano Real, o que lhe granjeou indita reputao interna e externa. A partir de 2006, com a sada de Antonio Palocci do Ministrio da Fazenda, iniciou- se uma ao sistemtica para reverter esse status, sem sucesso. Lula no o permitiu. Desta vez deu certo. A percepo de que o BC  submisso ao governo se espalhou aqui e no exterior.
     Felizmente, a queda da taxa de juros, de incio uma aposta altamente arriscada, foi corroborada por uma dura realidade econmica interna e externa, em relao  qual no havia, de antemo, como ter muita segurana. Menos mau. O dano se limitou  credibilidade do BC. Agora, no entanto, as presses inflacionrias se tornaram mais preocupantes, apesar de ainda encobertas por controle dos preos da gasolina e por desoneraes tributrias. Mudanas normais na estrutura do ndice que mede a inflao oficial tambm ajudaram.
     Ainda  tempo de restabelecer a credibilidade e a autonomia operacional do BC, mesmo porque isso ser forosamente necessrio se a inflao ameaar fugir do controle. Na ata de sua ltima reunio, o Copom se mostrou preocupado. Distanciou-se do diagnstico do governo, apontando a insuficincia da oferta, e no da demanda, como causa do baixo crescimento econmico. Dilma poderia aproveitar para deixar de jactar-se da queda dos juros. Isso agrada a correntes que criticam o BC, mas afunda a imagem do banco. O silncio tem seu simbolismo. Seus auxiliares deveriam calar-se sobre o tema e parar de acusar de ter saudade dos juros altos quem deles diverge. Isso , no mnimo, uma tolice.


6. LEITOR
TRAGDIA DE SANTA MARIA 
VEJA mais uma vez surpreendeu, com a reportagem especial Somos todos Santa Maria (6 de fevereiro). Sou de Alegrete (RS), ali pertinho, e perdi amigos de maneira brutal, resultado do desrespeito do poder pblico com a vida de quem paga seus salrios e benesses. Estamos vivendo o que merecemos, pois como povo admitimos a corrupo e o roubo do dinheiro pblico como coisas normais, aceitamos a criminalidade em nveis estratosfricos, com homens e mulheres de bem, produtores de riquezas, assassinados covardemente por bandidos que tm alvar e armas  vontade para ceifar nossa vida, enquanto ns, cidados de bem, no podemos t-las. Chegamos ao fundo do poo e estamos escavando ainda mais fundo.
CAIO DI NAPOLI
Vinhedo, SP

VEJA nos fez chorar com essa excelente reportagem.
FRANCISCO MRIO LIMA MAGALHES
Balsas, MA

Capa impactante. A dor pungente demonstrando o descaso com a vida.
MARIA MENEGAS
Nova Petrpolis, RS

A cada pgina lida da reportagem de VEJA, uma dor imensa tomava conta do meu peito. Eu, como me, esposa, filha e amiga, no tenho como imaginar essa dor. Lamento tamanha ganncia. Que o corao dessas pessoas seja confortado.
RENATA BORGES ANTONIAZZI
Tup, SP

Uma capa que jamais gostaramos de ver estampada. Publicada, tornou-se a mais bela de todas  pela sensibilidade, luto, dor e compaixo. Os sonhos da menina com o chapu do namorado que partiu inesperadamente nos fazem mais solidrios e fraternos.
CLAUDIO ROBERTO MORGENTAL
Santa Maria, RS

A sensibilidade com que VEJA abordou a tragdia de Santa Maria acalentou a minha tristeza. Senti solidariedade em cada palavra lida. Faltou, ao mencionar a existncia nas principais cidades brasileiras de quadrilhas que atuam disfaradas de empresas de consultoria que concedem alvars mediante propina, citar a investigao que a Polcia Civil est fazendo para deslindar o caso da boate Kiss.
RITA DE CSSIA 
Santa Maria, RS

Regulamentar, fiscalizar, policiar, punir  estorvo poltico, no traz votos. Nossos governantes querem o estado como superempresrio. A grande demagogia nacionalista  criar estatais, recheadas com fartas diretorias, conselhos e assessoras, paraso dos maus fornecedores e dos maus funcionrios. Nem a catastrfica situao da sade, educao, segurana e meio ambiente mudou esses rumos. Mas ser que a monstruosa tragdia de Santa Maria nos far repensar o estado brasileiro, h muito privatizado?
ANTONIO AUGUSTO DAVILA
Porto Alegre, RS

Somos todos culpados porque o jeitinho, infelizmente, j faz parte de nossa cultura, e o aceitamos quando nos convm. Somos culpados porque no cobramos de nossas autoridades o rigor necessrio nas fiscalizaes, at porque esse rigor poder respingar em ns. Somos culpados porque elegemos mal nossos representantes e temos um Legislativo e um Executivo ineficazes.  de indagar de quem  a culpa? A culpa  de todos ns.
FRANCISCO CARLOS DOS SANTOS POLITANI
So Paulo, SP

O que vai acontecer com os culpados? Cadeia? Por quanto tempo? Quem trar de volta aqueles que ingenuamente foram se divertir e nunca mais viram a luz do dia? Os irresponsveis deixaram apenas uma porta, que no era de emergncia, mas sim de sada. Assim se compreende a lei, com interpretaes dbias. Emergncia e sada passam a ser a mesma coisa.
JOS LUIZ ARCHER DE CAMARGO ANDRADE
So Paulo, SP

Que todos os envolvidos paguem pelos erros cometidos ao ceifar tantas preciosidades.
HELENICE R. CARVALHO FIGUEIRA
Timteo, MG

Participei durante anos da escolha da capa semanal da revista Manchete. Na capa da edio 2307 de VEJA, um dramtico flagrante da absurda tragdia de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.  a dor retratada no momento mximo de seu desespero. Uma capa de bom gosto universal, que se completa na pgina dupla que abre a reportagem. Um momento mgico de invejvel sensibilidade. Merece um prmio internacional.
SALOMO SCHVARTZMAN
So Paulo, SP

O que precisamos no Brasil so leis rgidas, fiscalizao intensa e tambm perder a nossa essncia de, em todas as situaes, dar um jeitinho brasileiro, de fazer gatos, manobras e tramoias em vrias reas da nossa vida. Somos adultos hoje, e no mais um pas adolescente e inconsequente.
DEBORAH KITASATO
So Paulo, SP

H alguns anos estive em Auschwitz. Naquele ambiente triste, vendo os pertences dos judeus, fiz uma volta ao passado e imaginei o que aquelas pessoas inocentes sentiram. No consegui terminar a visita, sa e chorei. Ao ler a reportagem de VEJA, com a descrio do interior da boate Kiss, o depoimento dos sobreviventes, vendo as imagens, tambm imaginei o desespero e a impotncia dos jovens diante do que estava ocorrendo. Parei de ler e chorei. Meu carinho e conforto a todos que foram atingidos pela tragdia.
ANTONIO CARLOS PARREIRA TIENGO
Itajub, MG

J passei pela perda de um filho jovem. Agora toda a ateno e assistncia devem ser voltadas aos pais, pois essa situao pode levar toda essa gente  mais profunda depresso. O bem maior se foi, e os culpados sero sempre um simples detalhe nessa histria se comparados ao mal que provocaram.
CARLOS ERNESTO CABRAL DE MELLO
Jundia, SP

Como pai, lamento pelas vtimas de Santa Maria e sinto a imensa dor dos seus pais. Como engenheiro, lamento pela quase generalizada falta de sistemas adequados de preveno e segurana contra incndio e pnico em locais de acesso pblico em todo o Brasil.  preciso utilizar a engenharia e a tecnologia para a segurana e a melhor qualidade de vida do cidado. Grande parte das tragdias no ocorre por falha tcnica, mas por falta da tcnica. Alm da locuo, vale a ao. A maior homenagem s vtimas dessa tragdia seria uma campanha nacional para inspeo e implantao de sistemas contra incndio e pnico.
PAULO CESAR BASTOS
Salvador, BA

Fiscalizao acirrada e penas duras para os culpados so passos importantes para que o pas deixe de ser conhecido por sua impunidade.
ADRIANA CUNHA COSTA
Washington, DC, Estados Unidos

CARTA AO LEITOR
Excelente cobertura da tragdia em Santa Maria, especialmente o primoroso texto da Carta ao Leitor, Essa dor no passa (6 de fevereiro). Concordo com a lcida opinio ali emitida. Numa infeliz coincidncia, publiquei o ensaio Descumprimento das leis: bice ao desenvolvimento do Brasil na revista Jurisprudncia Mineira lanada em 30 de janeiro ltimo, ou seja, na semana seguinte ao trgico incndio na cidade gacha. E eu me indago, como brasileiro indignado, se esse pas tem jeito...
ROGRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA
Desembargador 
Tribunal de Justia de Minas Gerais 
Belo Horizonte, MC

Li e reli a Carta ao Leitor Essa dor no passa e tenho certeza de que essa indignao  a mesma de milhes de brasileiros que, como eu, assistem perplexos a toda essa farra que se tornou o poder pblico no pas, onde o que menos importa  o cidado. Lamentavelmente, a tragdia de Santa Maria entrar para as estatsticas, como tantas outras. Cabe a ns, cidados, com o apoio da imprensa transparente e correta, gritar cada vez mais por justia, para que seja punida toda a cadeia de responsabilidade, a iniciar pelo omisso poder pblico, que, como sempre, se exime de qualquer responsabilidade, no aceitando sua total deficincia e fragilidade em consequncia desse cncer chamado corrupo.
ANTNIO CARLOS MAZIVIERO
Belm, PA

A ESTTICA DO SOFRIMENTO
A imagem de Yasmin Mller debruada sobre o caixo do namorado, coberta pelo chapu que ele lhe havia dado pouco antes de morrer no incndio da boate em Santa Maria, emociona por ser bela e pungente ao mesmo tempo.

PODE HAVER BELEZA NA DOR?
Yasmin postou uma mensagem no mural de VEJA no Facebook: S agradeo a todos que  esto me dando fora! Meu mais que sincero muito obrigado. Ela tem 19 anos e o namorado morto, Lucas Dias, que sonhava se formar em veterinria, 20. Foram separados  fora e para sempre. Ele foi ao banheiro da boate e pediu a ela que segurasse seu chapu campeiro. Lucas morreu asfixiado no banheiro, que se mostrou o lugar mais mortal do labirinto de fumaa, fuligem e gs em que se transformou a boate. O chapu ficar como smbolo da tragdia a nos lembrar que ela no pode se repetir nunca mais. Os leitores notaram as unhas benfeitas de Yasmin na foto de capa e alguns, poucos, estranharam que ela tenha tido tempo de ir  manicure antes de velar o namorado. O que Yasmin no teve foi tempo de tirar o esmalte das unhas. O momento capturado pelo fotgrafo Lauro Alves, estampado na capa de VEJA, ilustra  perfeio os versos de sublime desespero do poeta italiano Giacomo Leopardi: Duas coisas belas tem o mundo / amor e morte.
O CASAL 
Na semana passada, Yasmin mudou a foto de abertura de sua pgina no Facebook. Ela ps uma imagem dela ao lado do namorado morto, Lucas Dias. Os comentrios dos amigos: casal eterno.

CLAUDIO DE MOURA CASTRO 
Quando o articulista escreveu Analfabetismo emocional (6 de fevereiro), fiquei imaginando como seria a reao das pessoas, que na verdade no leem o texto, mas o interpretam como se lhes apraz. Conversei com uma amiga sobre o assunto e ela me disse que os professores, principalmente, reclamam muito de classes grandes, mas que essa  uma tendncia internacional, e, como foi muito bem explicado por Claudio de Moura Castro, o Brasil est sempre na rabeira das inovaes para melhorar nossos estudos. Parabns, Claudio, por ter uma mente aberta e racional, em que emoes existem no lugar certo.
SYLVIA HAIDAR
So Paulo, SP

Apresento minha experincia como aluna para compartilhar os dados da pesquisa cientfica apontada no artigo de Claudio de Moura Castro. A infraestrutura precria prejudica, s vezes, o nvel do aprendizado, mas no supera a ambio e o desejo de estudar de um aluno. O tamanho das classes no deve ser tido como justificativa para o fracasso ou a deficincia na qualidade do ensino.
MRCIA SANTOS C. PEDROSA
Andradina, SP

Chaves utilizados nas respostas ao colunista no podem ser aceitos, principalmente oriundos de educadores que deveriam estar preparando nossas crianas para o futuro. Senhores, saiam do quadrado, quebrem paradigmas. S assim teremos esperanas.
SERGIO HENRIQUE OLIVEIRA GODINHO
Imperatriz, MA

J.R. GUZZO
O artigo Um caso perdido (6 de fevereiro) deveria ser lido nas duas casas legislativas  Senado e Cmara dos Deputados. Quem sabe algum ilustre representante do povo se digne a ir  tribuna e faz-lo. Lamentavelmente, como intensamente propagado pelo seu lder maior, o PT e a maioria dos seus afiliados no se dedicam a acompanhar a mdia impressa. Deveriam, para o bem do pas.
OSWALDO MORENO FILHO
So Paulo, SP

 triste e melanclico ver o nosso estimadssimo pas nas mos desses predadores pblicos. Tomara que isso tenha data para acabar.
HENRIQUE PEREIRA ALVES
Curitiba, PR

Perfeito e irretocvel o artigo de J.R. Guzzo. Para mostrar todas as falcatruas desse partido que se apossou do poder, seria necessria uma edio especial de VEJA. Sem falar nas engenharias contbeis para manipular ndices econmicos e mentiras em profuso, atravs das quais escondem a verdadeira situao do pas. J estamos namorando perigosamente a inflao, e o PIB despencou. Quando acordarmos, poder ser tarde demais.
ALVIN ESTEVO BITTENCOURT 
Blumenau, SC

SALAM FAYYAD
Apreciei os termos equilibrados do primeiro-ministro da Autoridade Palestina., Salam Fayyad, na entrevista E se o moderado fracassar (6 de fevereiro). Mas  preciso que sejam seguidos pelos demais lderes daquele novo pas rabe, muitos dos quais ainda rejeitam a prpria existncia de Israel e repelem quaisquer propostas de acordo.
LUIZ FELIPE DA SILVA HADDAD
Niteri, RJ

A entrevista com Salam Fayyad mostra-nos um homem determinado e perfeitamente afinado com o modo ocidental de exercer a diplomacia. Apesar da sua competncia, no acreditamos que ele consiga a realidade de um estado palestino soberano. Dois aspectos parecem solapar seu objetivo: uma geopoltica regional extremamente complicada, agravada pelo surgimento de grupos radicais assumindo e dividindo o poder, e o dio entre palestinos e israelenses, que, por tanto tempo cultivado, parece haver se transformado em elemento do material gentico desses povos. Assim, no h como ter esperana de paz.
JOS BALAN FILHOO
Curitiba, PR

POLCIA FEDERAL
O Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polcia Federal (Sinpecpf), representante legal dos psiclogos e demais profissionais de sade do rgo, informa no proceder a informao de que a Polcia Federal teria lanado programa de apoio psicolgico aos policiais federais em resposta ao alto ndice de suicdios registrado ao longo de 2012 (Baixas na PF, Holofote, 30 de janeiro). Com apenas quinze psiclogos em seu quadro de servidores, seria impossvel pr em prtica um programa preventivo de apoio psicolgico de mbito nacional.
LEILANE RIBEIRO DE OLIVEIRA
Presidente do Sinpecpf
Braslia, DF

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.



7. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

DE NOVA YORK
CAIO BLINDER
FEITIO DO TEMPO
O Ir retornou o ritual de negociaes com a comunidade internacional sobre seu programa nuclear (desde que as intenes do outro lado sejam honestas, segundo o ministro das Relaes Exteriores, Ali Salehi). Mas as intenes iranianas sempre devem ser tratadas com ceticismo. Como se diz em portugus castio:  enrolation.
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QUANTO DRAMA
PATRICIA VILLALBA
CIRANDA AMOROSA
Definido pela autora Glria Perez e pelo ator Rodrigo Lombardi como um homem impulsivo, Tho se entrega cada vez mais aos seus impulsos em Salve Jorge. Depois de ir e voltar com Morena (Nanda Costa) e tica (Flvia Alessandra), o capito vai se atirar nos braos de Mrcia (Fernanda Paes Leme). E, mais adiante, a vil Lvia (Claudia Raia) tambm entrar nessa fila, caindo de amores pelo capito. 
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CHEGADA
RENATO DUTRA
MUSCULAO
Indivduos submetidos a treinos de musculao comeam a aumentar a massa muscular aps trinta dias de exerccios regulares. Por outro lado, depois de dez dias de repouso, comea a perda. No h motivo para desanimar se a folga for de uma semana. S no d para esticar o descanso por um ms, pois a sim se volta ao estgio inicial. 
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NOVA TEMPORADA
A VOLTA DOS THUNBERBIRDS
Quem cresceu nos anos 1960 e 1970 deve se lembrar da srie estrelada por marionetes chamada Thunderbirds, produzida entre 1965 e 1966, com 32 episdios. Uma de suas ltimas exibies no Brasil foi na dcada de 90, pelo SBT. Thunderbirds Are Go!, uma nova verso desse clssico infantil, deve estrear em 2015, em comemorao dos cinquenta anos da produo original. Os fs podero assistir a 26 episdios na primeira temporada, que j est em fase de pr-produo. A srie utilizar computao grfica para criar os personagens, que atuaro em um cenrio real. No original, eles eram interpretados por marionetes. A produo  da ITV Studios em parceria com a Pukeko Pictures, da Nova Zelndia, e da Weta Workshop, ambas produtoras da trilogia O Senhor dos Anis.
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SOBRE PALAVRAS
A HISTRIA DA PALAVRA FAVELA
Em sua acepo dominante de conjunto de habitaes populares toscamente construdas (via de regra em morros) e com recursos higinicos deficientes (Aurlio), a palavra favela  um brasileirismo que tem histria de clareza incomum  e alm do mais ligada a um dos maiores clssicos da literatura brasileira. Publicado em 1902, Os Sertes, de Euclides da Cunha, sobre a Guerra de Canudos (1896-1897), descreve a regio do serto baiano em que se tinham assentado os fiis do beato Antnio Conselheiro falando de uma eltica curva fechada ao sul por um morro, o da Favela, em torno de larga planura ondeante onde se erigia o arraial de Canudos.... O nome do morro, explica o autor, devia-se a uma planta comum por ali, as favelas, annimas ainda na cincia  ignoradas dos sbios, conhecidas demais pelos tabarus....
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VEJA MEUS LIVROS
ESTRELA NA FLIP
A escritora francesa Lila Azam Zanganeh teve a presena confirmada na Flip (Festa Literria Internacional de Paraty) deste ano, que tem o escritor Graciliano Ramos como homenageado. Considerada uma das figuras mais ilustres do evento, Lila vai ter seu primeiro livro lanado no Brasil em junho. O Encantador  Nabokov e a Felicidade chega s livrarias pela editora Alfaguara.
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 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


8. EINSTEIN SADE  ALERGIA A MEDICAMENTOS
Maioria das manifestaes afeta apenas a pele, mas reaes como o choque anafiltico podem ser fatais.

     O nmero de novos medicamentos para as mais variadas doenas aumenta continuamente. Se ajudam a aprimorar tratamentos, contribuem tambm para impulsionar a incidncia de alergias a eles. Estudos mostram que de 3% a 6% das admisses hospitalares esto relacionadas a algum tipo de reao adversa a medicamentos, que tambm pode atingir entre 10% e 15% dos pacientes internados. Mas apenas um tero dessas reaes envolve mecanismos imunolgicos, sendo consideradas alrgicas.
     Toda alergia, inclusive a medicamentos,  uma manifestao de hipersensibilidade do sistema imunolgico a agentes externos que, normalmente, no so nocivos. Por serem amplamente prescritos e consumidos, antibiticos e anti-inflamatrios esto entre os que mais provocam reaes.
     A alergia a medicamentos engloba manifestaes clnicas diversas, com mecanismos heterogneos, podendo ocorrer em minutos ou at dias aps o uso da medicao. Os sintomas so bastante variveis, mas em 80% dos casos so manifestaes na pele  coceira, urticria, rash (erupo cutnea), inchao nos lbios e plpebras. O choque anafiltico  uma das formas mais graves de reao alrgica, podendo levar  morte por hipotenso ou dificuldade respiratria causada pelo edema da glote (inchao dessa estrutura da laringe, obstruindo a passagem de ar para os pulmes). Ainda so desconhecidos os mecanismos pelos quais uma pessoa apresenta sintomas mais leves e outra pode chegar ao choque anafiltico.
     Toda manifestao anormal aps o uso de um medicamento deve ser objeto de observao mdica imediata. A histria clnica e informaes sobre consumo pregresso e recente de medicamentos so essenciais para a preciso do diagnstico, assim como o exame clnico apurado. Testes alrgicos podem ser empregados para esclarecer o diagnstico.
     Em geral, as reaes de hipersensibilidade ocorrem aps repetidas exposies ao agente causador da reao. Mdicos alergistas so os mais indicados para determinar a natureza da reao e, comprovada a alergia, definir a conduta teraputica. Alm da interrupo do uso do medicamento suspeito (que ser substitudo por outro que possua princpio ativo diferente), o tratamento pode incluir anti-histamnicos e corticosteroides.
     Reaes adversas podem ser previsveis ou imprevisveis. A alergia a medicamentos  imprevisvel e geralmente definitiva. Por isso, o paciente e/ou familiares devem informar essa condio  escola, local de trabalho, mdicos, clnicas e hospitais, prevenindo novas ocorrncias.

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Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendoroglo Neto - CRM: 48949


